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GARANTIR DIREITOS É DEFENDER A VIDA
Dom Anuar Battisti – Arcebispo de Maringá -
Assessoria 01/05/2007

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“Se com meu enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário, enforca-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês em todas as partes as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não podem apagá-lo”.(Augusto Spies, líder operário enforcado em Chicago após a greve que deu origem ao dia 01 de maio). “No século XIX (1801 a 1900), as nações mais industrializadas eram a França, Inglaterra, Alemanha, e os Estados Unidos. Para sustentar o funcionamento industrial destes países, milhões de operários/as trabalhavam nas mais duras condições, sem leis que os/as protegessem. Cada patrão pagava o que queria, as jornadas eram de 14,16 e até de 18 horas por dia. Mas em 1886, os trabalhadores reagiram e uma greve geral foi realizada nos Estados Unidos, para conquistar a jornada de trabalho de 8 horas diárias. Na cidade de Chicago, no dia 01 de maio, uma grande manifestação pública milhares de pessoas e foi violentamente contida pela polícia. No dia 03, os trabalhadores fizeram outra manifestação novamente reprimida, desta vez mais violentamente, havendo assassinatos de operários diante da fábrica MacCardich. Estava declarada uma verdadeira guerra dos trabalhadores, mas eles responderam com coragem e no dia 04, organizaram outra concentração. A polícia então interveio, assassinando homens, mulheres e crianças. Oito líderes do movimento forma presos e condenados à morte. Quatro foram enforcados: Albert Parsons, Augusto Epies, Adolfo Fischer e George Engel.

O fato ficou marcado na memória e em 1892, a Associação Internacional dos Trabalhadores decidiu que o dia 01 de maio seria comemorado todos os anos, no mundo todo, como o Dia Internacional dos Trabalhadores. Alguns tentam chamar de Dia do Trabalho, mas é impossível ter trabalho sem trabalhadores/as”.(Extraído do Texto da Pastoral Operária em preparação ao 01 de maio 2007). Certamente este dia é o dia dos trabalhadores/as, operários/as que derramam o suor todos os dias para ganharem o pão, a casa, a vida e a dignidade de cidadãos/ãs e fazer este país honrar o lema da nossa bandeira: Ordem e Progresso”.

Neste ano o texto preparatório traz como tema central: “Garantir direitos é defender a vida”. Por isso queremos que o primeiro de maio seja um dia de conscientização, de reflexão e de mobilização na busca da garantia dos direitos, na defesa dos excluídos, a fim de defender a vida desde o ventre materno da mãe e da nossa mãe natureza na qual vivemos e queremos que seja fonte de vida para as gerações futuras.A Arquidiocese de Maringá através da Pastoral Operária, do Aras, da Pastoral da Juventude, de outras pastorais e movimentos organiza uma Romaria, que já há anos reúne trabalhadores e trabalhadoras, empregados e desempregados, para uma tarde de conscientização, oração e solidariedade. Este ano a concentração será no centro de Maringá, na Praça Raposo Tavares a partir das 14 horas e em caminhada pelo centro, orando e refletindo em direção à Catedral onde será celebrada a santa missa.Neste mundo marcado pela competição onde vale quem produz, gerando concentração de riquezas nas mãos de poucos, aumentando exclusão e marginalidade, queremos que este dia seja marcado pelo grito de fé na vida que Deus nos deu, defendendo os direitos e abrindo o coração para a solidariedade e a paz. “Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de todos”(Mt 23, 11).



Dom Anuar Battisti – Arcebispo de Maringá


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