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DOMINGO É DIA DO SENHOR
Dom Anuar Battisti – Arcebispo de Maringá -
Assessoria 01/06/2007

Índice

» Dom Anuar Battisti ...

Desde os tempos Apostólicos o domingo é definido como o “Dia do Senhor”. É o dia da ressurreição, a “Páscoa” da semana. Como diz o salmista: “Este é o dia que o Senhor fez, exultemos e cantemos de alegria” (Sl 118). A ressurreição de Jesus é o dado primordial sobre o qual se apóia a fé cristã(1Cor 15,14).

O domingo deve ser um dia de festa, de alegria, de descanso, de encontro da família. O Papa João Paulo II escrevia: “Infelizmente, quando o domingo perde o significado original e se reduz a puro “fim de semana”, pode acontecer que o homem permaneça fechado num horizonte tão estreito, que não mais lhe permite ver o céu. Então, mesmo bem trajado, torna-se intimamente incapaz de festejar” (Dies Domine 4)

Para todos os cristãos é colocada uma exigência de fé: fazer do domingo o dia mais importante da semana. Vivê-lo com todo o seu significado original. Nunca transformar o “dia do Senhor” em um dia a mais de trabalho. Já temos seis dias da semana para isto. Será que seis horas a mais aos domingos farão diferença aos cofres dos supermercados? Com que disposição você,funcionário; você, patrão, retorna à sua casa aos domingos depois de seis horas de trabalho?

Porque querer roubar da nossa fé, a fé que vem dos apóstolos, o “dia da vida nova presenteada por Deus, na ressurreição de seu Filho e nosso Salvador”? O capitalismo selvagem, cujo deus é o consumismo insaciável, está comendo também o “dia do Senhor”, o dia da família, o dia da comunidade. Mesmo sendo garantida por lei, a abertura do comércio aos domingos é injusta, porque afasta funcionários e patrões da família, do descanso merecido, das obrigações de cristãos, e se configura como trabalho escravo, pois tira o direito natural à liberdade, já não sou livre para cumprir o direito do dia de descanso, de ir a minha Igreja e orar com meus irmãos, mas tenho que descansar e orar quando a empresa determina.

O ganho que pode representar uma receita para o sustento da família, não compensará o dano que causará às relações familiares. Pois o tempo de estar juntos, de descansar juntos, de rezar juntos, será, mais uma vez roubado pela ganância de um sistema que privilegia o lucro, não as pessoas; que privilegia o capital, não a dignidade do ser humano.

Recordo o que dizia João Paulo II: “O domingo é um dia que está no âmago da vida cristã. Gostaria de convidar vivamente a todos a redescobrirem o domingo: não tenhais medo de dar o vosso tempo a Cristo! Sim, abramos o nosso tempo a Cristo, para que Ele possa iluminá-lo e dirigi-lo. É ele quem conhece o segredo do tempo e o segredo da eternidade e nos entrega o “seu dia”, como um dom sempre novo de seu amor. O tempo dado a Cristo nunca é tempo perdido, mas tempo conquistado para a profunda humanização das relações e da nossa vida” (Dies Domine 7)




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