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A IGREJA DO CEU E A IGREJA DA TERRA
A IGREJA DO CEU E A IGREJA DA TERRA -
-Assessoria 01/07/2010

Índice

» A IGREJA DO CEU E A...


 

Nem sei se a gente pode falar em igreja do céu. O fato é que no céu não existe igreja. Não existe igreja porque não existirá mais a fé, diz São Paulo. Vamos ver a Deus e seus mistérios, sua verdade, face a face. Não haverá mais esperança porque as promessas de Deus já estarão sendo realizadas. Não haverá mais sacramentos porque estaremos em continua comunhão com a graça de Deus e da salvação. Não haverá hierarquia, sacerdócio, ministérios porque a missão já estará cumprida.

Mas apesar disso, a teologia fala da dimensão escatológica da Igreja. Isto quer dizer a relação que há entre a Igreja no momento atual e a maneira definitiva da vida do povo de Deus no final dos tempos.

A maneira de entender esta relação é que a Igreja é agora como uma semente do Reino. Ela tem uma força misteriosa que dá a ela o poder de conduzir a humanidade para a salvação. Sobretudo a força de unir a todos num só povo.

Sua meta é o Reino de Deus, iniciado pelo próprio Deus na terra, a ser estendido mais e mais até que no fim dos tempos seja consumado por Ele próprio, quando aparecer Cristo nossa vida. Assim este povo messiânico, embora não abranja atualmente todos os homens e apareça por vezes como pequeno rebanho, é contudo para todo o gênero humano germe firmíssimo de unidade, esperança e salvação” (LG 2,9).

Podemos dizer que ela, a Igreja anuncia realidades futuras, mas já traz em si mesma realização parcial daquilo que anuncia. Já oferece neste mundo uma experiência de comunhão com Deus e com os valores e dons do Reino definitivo.

Só para exemplificar. Quando celebramos a Eucaristia, é através de símbolo e sinais sacramentais da Igreja que a celebramos. E cremos firmemente que estamos invisivelmente recebendo o próprio Cristo em comunhão.  Mas ainda não é aquela plenitude de comunhão de estar com Deus face a face, sem limite dos véus do mistério e sem risco de perdê-lo. Foi o próprio Jesus que explicou isso quando disse: “Como desejei comer convosco esta Páscoa antes de minha paixão. Eu vos digo que não tornarei a comê-la até que alcance seu cumprimento no reino de Deus” (Lc 22,15-16).

E rezamos também com a Igreja depois da consagração aquela bela aclamação:

-         Eis o mistério da fé!

-         Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte enquanto esperamos a vossa vinda. 

 

Padre Almeida




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