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A vida e a morte
Vida e Morte -
Assessoria 01/11/2005

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» Vida e Morte

Dom Eurico dos Santos Veloso


Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora (MG)





"A vida e a morte, binômio misterioso, realidades que se fundem no desafio da esperança da vida eterna.".


Li esta belíssima frase num artigo da Equipe da Igreja em Marcha, de nossa Arquidiocese, publicada neste último sábado na Tribuna de Minas, jornal local.


Ela exprime a realidade de nossa existência e seu sentido em Cristo que, por sua morte, abriu-nos a esperança da vida eterna. São Paulo nos ensina que, assim como Cristo triunfou da morte, ressuscitando, glorioso, do sepulcro, também nós, que morremos com Ele no batismo, ressuscitaremos e viveremos as alegrias celestes.


Sem esta esperança, a morte é uma tremenda realidade que nos domina. Ela está inserida na própria vida e desde o mais profundo de nosso ser. Nascemos já destinados à morte. Cada dia morre-se um pouco, senão de todo, quando ceifados pela violência que ronda por toda a parte.


Sem a fé poderíamos nos perguntar, como Jules Tannery, citado pelo Pe. Sertillanges em uma de suas meditações sobre este tema: "Porque se tem mais medo de morrer do que de viver? É a mesma coisa. Morrer é ir para a destruição; viver é um largo impulso que nos leva ao mesmo termo."       


O salmista (salmo 38), angustiado, clama, no mesmo tom, embora vislumbrando o infinito: "Fazei-me, Javé, conhecer o termo de minha vida, qual a medida dos meus dias para que saiba como sou perecível".


Leonardo Boff relata-nos a tristeza de Darcy Ribeiro quando instado por palavras de conforto no leito da morte, não conseguia vislumbrar a eternidade que se abriria à sua frente em instantes. Faltava-lhe a esperança que nasce da fé. Era o binômio vida e morte, os ritmos da matéria finita sem o desafio da esperança. As suas obras científico-literárias continuariam. Ele, não mais. Resta-nos confiá-lo à misericórdia de Deus.


Para os que crêem, há um sentido na vida, apesar de todos os percalços, como cantamos: "Nós cremos na vida eterna e na feliz ressurreição, quando de volta à casa paterna, os filhos com o Pai se encontrarão"


Podemos, então, contraditar: não nascemos para morrer. Nascemos para a eternidade e concluir com o Apocalipse: "felizes os que não sofrem a segunda morte", isto é,a morte daqueles que, sistematicamente, recusaram aceitar a misericórdia do Pai em Cristo. Estes sofrerão a segunda morte, a ausência da visão beatífica, porque não quiseram se abrir às bem aventuranças e à acolhida aos irmãos que sofrem.        O Dia de Finados e, logo a seguir, o Dia em que comemoramos todos os Santos, ao par da reflexão sobre nosso fim último, querem nos lembrar também os que nos precederam na fé. Não é um dia de tristeza, o primeiro referido. Há uma saudade, a lembrança amorosa do tempo que conosco conviveram, expressando todo o seu amor. Lembram-nos a coragem com que enfrentaram as vicissitudes da vida, a sua fé e fortaleza que inclusive procuraram nos transmitir.


Por causa dessa fé, apesar de todas as fraquezas humanas a que somos constantemente submetidos, confiamos que foram acolhidos no seio do Pai.


Nossas orações e súplicas, ultrapassadas as dimensões do espaço e tempo, integradas na comunhão dos santos, interagem em todos nós no oceano da bondade de Deus, no coração do Pai Celeste.A misericórdia de Deus é sem limites!










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